Era do gelo: as primeiras sorveterias cariocas

Hoje os tempos são de concorrência forte, promovida por gelados cremosos à moda italiana, famosas marcas locais e outras atrações saídas do freezer. Sorte a nossa. No Rio da primeira metade do século XIX, porém, já fazia um calorão em boa parte do ano e não se encontrava um mísero balcão para se tomar um sorvete. Isso começou a mudar em 1834, como relatou para a posteridade, quase sem notar, o diplomata francês Conde Alexis de Saint Priest à corte de Luís Filipe.

“Uma particularidade que quase não merecia ser relatada, mas, entretanto, bem singular, é a introdução do gelo no Rio de Janeiro. Nunca fora visto por aqui. Um navio americano trouxe agora um carregamento. Nos primeiros dias, ninguém o queria; julgavam os brasileiros que o gelo os queimava, mas hoje já conseguiu grande voga e emprega-se de modo tão agradável quanto útil neste clima”, registrou o diplomata.

Um “emprego agradável” do produto importado dos Estados Unidos foi seu uso na produção de sorvetes, vendidos a duzentos réis o copo em pontos como a pioneira Confeitaria Carceler, estabelecimento situado à Rua Direita (atual Primeiro de março), entre a Ouvidor e a Igreja do Carmo. Essa é uma das muitas histórias deliciosas reunidas por Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), um dos nossos maiores folcloristas, no livro “Antologia da alimentação no Brasil”.

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